Propósito

Por Anna Russo – 23 de Maio de 2023

“O que importa, não são os anos em sua vida, mas a vida em seus anos.”  David Dozois, psiquiatra e psicólogo canadense.

Frase interessante, não? Talvez um pouco óbvia, mas, muitas vezes, distante de nossos pensamentos. Só a percebemos quando, ao ler, acontece aquele “Ah!” interior, que a reconhece como verdade.

Dirijo-me particularmente a quem, como eu, já passou dos 60 anos. A vida vai passando, os filhos saem de casa. Se não nos preparamos para essa etapa, é muito comum surgirem desânimo, depressão, aquele sentimento de que a vida acabou e que agora só resta ficar em casa e esperar o tempo passar.

E também auto-rejeição. Como você fala consigo mesmo internamente? O que você diz? No que acredita sobre você? Por exemplo,  “nossa como é ruim ficar velho!” “velhice é uma coisa horrível”, e assim por diante – o que não ajuda em nada.

Deprimente, não?

Essa falta de propósito –  fator chave para que haja mais saúde física e mental – é preocupante.

Se esse for o seu caso, você pode estar pensando: ok, esta é a minha realidade, vou me conformar com ela. Ou, que tal considerar essa alternativa:

O QUE POSSO FAZER PARA MUDÁ-LA?

Manual para isso não existe, cada caminho é único, mas algumas sugestões são:

– Saia da sua zona de conforto.

Isso implica  enfrentar seus medos, sejam quais forem: vencer a timidez, vencer o medo de falar em público, de começar algo novo, por exemplo. Expandir seus limites e explorar novas possibilidades.

– Vença os estereótipos

Não se deixe influenciar pelo que o mundo espera dos que estão envelhecendo. Do que o senso comum acha certo ou errado para a idade. Pense no que te faz feliz.

– Considere sua realidade

Considere o que é possível para você, sem se lançar em atividades ou projetos que, em vez de ajudá-lo, vão provocar desânimo.

– Seja seu melhor amigo

Dê passos que combinem com você e mantenha uma atitude positiva, sem se deixar cobrar pelo perfeccionismo.

– Conecte-se com as pessoas que te rodeiam.

Uma vida social trás alegria e abre portas. Mas, por favor, nessa etapa, escolha com cuidado com quem se relacionar. Pesquisas na área de psicologia da saúde,  demonstram que pessoas com fortes conexões sociais tendem a ser mais saudáveis e viver mais do que as que permanecem mais isoladas.

– Curta o presente

Olhe para o que você pode apreciar em sua vida agora, não se prenda no que não está bom.

Resumindo, se o que você leu faz sentido e dá vontade de procurar um novo caminho, então a frase inicial deve ser levada a sério: trazer vida para seus anos!

Auto-sabotagem

Você tem frequentemente a impressão que, de alguma maneira, atrapalha seus próprios sonhos, ambições e projetos?

Por exemplo:

  • você tem o hábito de começar projetos criativos, mas nunca os acaba?
  • você costuma terminar os relacionamentos assim que se tornam mais sérios ou complicados?
  • ou ainda, você costuma desistir de alguma meta pessoal, como dietas ou exercícios, depois de algum tempo?

Se a resposta for sim, pode ser que você esteja se sabotando, o que simplesmente significa que – conscientemente ou não – você tende a anular seus próprios objetivos.


E, se isso faz sentido para você, o primeiro passo para quebrar este ciclo é entender o que está provocando isso. Existem várias causas, algumas das quais estão listadas abaixo:


1 – Crenças limitantes, que são histórias que contamos para nós mesmos e que nos impedem de alcançar sucesso. Por exemplo: se você diz a você mesmo que apenas pessoas gananciosas ganham dinheiro, não se surpreenda que seus objetivos financeiros nunca tenham sucesso.
Nossas crenças moldam nossa própria história. Então procure começar a olhar com um ceticismo saudável, qualquer pensamento ou certeza que você encontre. À medida que você se habituar a questionar seus pensamentos e crenças menos significativos, terá mais confiança para examinar os mais importantes que podem estar te impedindo de avançar.
2 – Perfeccionismo. Muitas vezes nosso ideal de perfeição nos faz estabelecer padrões muito altos, provocando desapontamento e frustração. A longo prazo, essa situação leva-nos a desistir das metas estabelecidas porque é difícil lidar com tanta decepção.
3 – Medo de ser assertivo, ou seja, afirmar o que você quer, de maneira respeitosa, mas de acordo com seu ponto de vista. O medo de desapontar os outros tem importante papel em fazer com que Ignoremos nossos desejos e necessidades.
4 – Preocupação constante, ou seja, o hábito de sempre imaginar consequências catastróficas para qualquer objetivo.

Naturalmente, estas são algumas das razões pelas quais acontece a auto-sabotagem. Para conseguir superá-las, é preciso, através da análise pessoal, descobrir o que as está causando. Sem isso, dificilmente alguma coisa vai mudar e o ciclo vai se repetir sempre.

Por que meditar?

Por Anna Russo – 27 de setembro de 2016

Atualmente fala-se muito sobre os benefícios da meditação. E, como já é sabido, a meditação pode ser praticada independentemente do fato de sermos ou não ligados a uma religião. Uma equipe de pesquisadores associados à Universidade de Harvard, publicou os resultados de seu estudo, o primeiro a documentar mudanças ocorridas no cérebro, provocadas por oito semanas de meditação diária.

Foram feitas ressonâncias magnéticas do cérebro dos 16 participantes do estudo, duas semanas antes e duas semanas depois do período estudado, que demonstraram melhoras significativas em áreas do cérebro relacionadas à memória e ao aprendizado, à concentração, capacidade de introspecção e consciência de si. Os participantes praticaram a meditação de atenção plena (mindfulness), que pode ser definida como “prestar atenção ao momento presente”.

Sara Lazar, neurocientista da Harvard Medical School e do Massachusetts General Hospital em Boston, uma das responsáveis pelo estudo, ao ser perguntada se a meditação produz o mesmo efeito que uma boa noite de sono, respondeu: “ Há semelhanças mas não é a mesma coisa. O sono não produz alteração no cérebro, não melhora o estresse, a ansiedade ou a depressão.”

Para saber mais informações sobre o estudo, ler “Eight weeks to a better brain”, publicada na Harvard Gazette. E a entrevista dada à Folha de São Paulo por Sara Lazar, no dia 12/03/2013.

Perfeccionismo

por Anna Russo – 30 de maio de 2016

Li um livro muito interessante de autoria de Brené Brown, escritora e pesquisadora da Universidade de Houston. O trecho que vou reproduzir aqui nos ensina como viver mais felizes, libertando-nos da necessidade de sempre buscar a perfeição em tudo o que fazemos.

.”Perfeccionismo não é a mesma coisa que tentar fazer o melhor. .. Perfecionismo é a crença que se vivermos perfeitamente, parecermos perfeitos e agirmos perfeitamente, poderemos minimizar ou evitar a dor da culpa, julgamento e vergonha. É um escudo. Perfeccionismo é um escudo de vinte toneladas que carregamos pensando que nos protegerá. Mas, a verdade é que este escudo é o que impede que levantemos voo.

Perfeccionismo não é melhora pessoal. Em última instância, perfeccionismo é a tentativa de conseguir aprovação e aceitação…Em algum ponto do nosso caminho, adotamos esta crença debilitante: Eu sou o que eu realizo e quão perfeitamente realizo. Agradar. Desempenhar. Perfeito. …O perfeccionismo busca a opinião dos outros: O que vão pensar? “Se estou me sentindo assim é porque não sou bom o bastante.”

Como nos libertar deste comportamento estressante? Adotando uma atitude compreensiva e carinhosa para conosco, sempre que sofremos, falhamos ou nos sentimos inadequados, em vez de ignorar nossa dor e nos flagelar com a auto-crítica.

“Um momento de auto-compaixão pode mudar seu dia.
Uma série de momentos assim pode mudar o curso de sua vida.”
(Christopher Germer, PHD professor de psicologia na Harvard Medical School. )

Do livro “The gifts of imperfection”(Brené Brown PHD, Hazelden Publishing, 2010)

Não deixe seu passado atrapalhar o seu futuro

por Anna Russo – 14 de dezembro de 2015

Nossa vida acontece a cada minuto. Em cada momento, nossos pensamentos, atitudes e comportamentos, nos oferecem oportunidades para mudança. Para reconstruir nossa vida e trabalhar para nos tornarmos a pessoa feliz, amorosa e realizada que nascemos para ser.

Se ficarmos constantemente olhando para trás com tristeza, ressentimento e arrependimento, e para o futuro com medo e preocupação, não vamos perceber que cada dia é um novo começo, que cada dia trás uma nova vida para vivermos, apreciarmos e aproveitarmos.

A não ser que você deseje, a história de seu passado não precisa ser a história de sua vida.

Se o passado for usado como desculpa para impedir que nos movimentemos, nosso futuro será muito semelhante ao nosso passado. Por outro lado, se deixarmos o passado onde é seu lugar, e nos permitirmos estar presentes e engajados no momento atual, tendo ao mesmo tempo uma clara visão de como queremos que nosso futuro se apresente, este será bem diferente do passado. Tudo depende de nós. Temos o poder de decidir. Nosso futuro está em nossas mãos.

Você tem ideias próprias?

por Anna Russo – 20 de outubro de 2015

A vida em sociedade muitas vezes nos faz pensar que não somos suficientemente bons, suficientemente inteligentes, suficientemente ricos, bonitos, populares, etc. O tempo
todo somos “atacados” pelos meios de comunicação, que nos sugerem padrões de todo tipo aos quais precisamos nos adequar sob pena de não “pertencermos” ao grupo dos
bem sucedidos e felizes.

Além disso, os olhares e supostos julgamentos das pessoas a nosso redor nos mantém prisioneiros de comportamentos e bens materiais.

O que acontece quando passamos a vida tentando provar nosso valor para o mundo ao nosso redor? Ficamos sempre insatisfeitos, porque nosso valor é sempre influenciado pelos pensamentos, idéias e crenças dos outros. E é também amedrontador, porque temos medo de perder os indicadores que mostram que estamos “dentro”.

Mas a vida nos deu uma mente única e separada de todas as outras, para termos pensamentos próprios e para desenvolvermos nossas próprias idéias e crenças. E muitas pessoas nunca aprendem a pensar por si mesmas e a desenvolver suas próprias idéias. Por isso permitem que outros sempre pensem por elas. Parece mais fácil viver assim? Talvez seja, mas escolhendo este caminho, nunca saberemos quem somos porque seremos uma cópia do molde aceito pela maioria.

“Preocupe-se com o que as outras pessoas pensam e você será sempre prisioneiro delas”.
Lao Tzu (Tao Te Ching)

Existe propósito em sua vida?

por Anna Russo – 30 de setembro de 2015

Você sabe para onde está indo, ou apenas segue adiante sem nenhum objetivo ou direção?
A sensação de estar caminhando sem sair do lugar está sempre presente?
Que a vida está passando e você é apenas um espectador?

Se a resposta for afirmativa, e houver vontade de se libertar deste estado de observador da vida e dos outros, a primeira dica é: coloque seus pensamentos numa folha de papel, comece a se perguntar: “o que quero da vida? O que a vida quer de mim? Quais são meus talentos e como posso usá- los? O que me faz feliz? O que faz com que me sinta em paz, completo?

” A partir daí, comece a se movimentar para alcançar seu objetivo. E não se apresse, não há necessidade de tentar fazer tudo de uma vez. Saiba que você é merecedor, que está aqui com um propósito, e aja de acordo com esta certeza. Só seguindo o que você sente que é seu caminho, fazendo o que gosta, vivendo sua vida com um propósito, ela terá significado.

Seu relacionamento está vivo?

por Anna Russo – 26 de maio de 2015

Muitos acreditam que relacionamentos amorosos inevitavelmente tornam-se desinteressantes e vazios, que esta situação é normal, que a chama do desejo se apaga e que o futuro só intensifica este estado de coisas. Como resultado, no momento em que há uma baixa na atração, no desejo, na excitação sexual, supõem que esta situação é natural, e se comportam de acordo. Assim, não é de espantar que a partir deste ponto, o relacionamento inicie uma inexorável trajetória descendente, que frequentemente termina em separação.

Embora não seja possível impedir que estes momentos aconteçam, é possível tomar medidas que minimizem significativamente seu impacto e diminuam a frequência com que ocorrem. Qual é o truque? Nenhum, a não ser que se considere um truque o fato de encher sua vida com mais alegria e prazer. E, sim, basta isso para manter como novo seu relacionamento, excitante e cheio de paixão, tenha você vinte anos ou noventa.

Relaxar é preciso

por Anna Russo – 16 de setembro de 2014

Quando alguém nos diz que precisamos reservar algum tempo para nós, muitas vezes temos a resposta pronta: “Que tempo? Mal tenho tempo para fazer minhas obrigações, como vou arranjar tempo extra? “Minha família, meus filhos (ou colegas de trabalho, etc, etc,) precisam de mim! Seria egoísmo de minha parte pensar nisso.”

E assim por diante…

No mundo em que vivemos agora, na “era da informação”, há tanto que ver, tanto que aprender, tanto que comunicar – é simplesmente assustador! Tudo se acelerou de uma maneira pouco saudável para nós humanos. E o resultado é o cansaço, a sensação de tensão contínua, de estar sempre “devendo”alguma coisa que não sabemos direito identificar. Portanto, minha sugestão é desacelerar um pouco, através de pequenos, mas satisfatórios, passos. Comece com 10 minutos por dia. Aqui vão algumas idéias para começar, mas você pode descobrir muitas outras que combinem mais com seu jeito de ser.

1 – Medite – simplesmente sente-se com os olhos fechados, num lugar
tranquilo e concentre-se apenas em sua respiração.

2 – Pratique yôga – ajuda muito a equilibrar corpo e mente.

3 – Dedique-se ao seu passatempo favorito, seja ele a leitura, algum
trabalho manual, assistir um filme. Mas nada de dramas ou violência!

4 – Aprecie a natureza: escolha um parque ou um local bonito e “respire”o cenário.

5 – Faça uma caminhada, prestando atenção em seus passos
e se libertando de sua “mente pensante”.

6 – Ouça uma música suave antes de dormir. Se não quiser mais
receber esta mensagem, por favor, responda “não”

O que eu quero?

por Anna Russo – 26 de fevereiro de 2015

Trabalharmos para sermos fiéis a nosso verdadeiro eu em cada momento, é um processo que dura a vida inteira. Nossas personalidades não são gravadas em pedra, nem no momento em que terminamos nossos estudos, nem mesmo quando resolvemos nos aposentar. É sempre possível mudar. Mas, para que esta mudança seja duradoura, precisamos nos conhecer. Saber: como nos tornamos quem somos e de que maneira queremos ser diferentes?

Embora única, a vida de uma pessoa frequentemente é a repetição do passado, ou seja, repetimos o que nos foi ensinado (com a melhor boa vontade e amor) por pais ou a sociedade, sem se perguntar: “o que eu quero? ” Quando prestamos atenção a nossos comportamentos em diversas situações, talvez nos demos conta que alguns deles, algumas atitudes, hábitos, não nos agradam. E se observarmos com cuidado, poderemos perceber como afetam nossas vidas, nossas carreiras, nossos relacionamentos, os objetivos que queremos alcançar.

Como identificar e vencer características e atitudes internas que prejudicam nossas vidas agora? Como separar o que é nosso e o que é uma repetição herdada de outra pessoa ou situação?