Relaxar é preciso

por Anna Russo – 16 de setembro de 2014

Quando alguém nos diz que precisamos reservar algum tempo para nós, muitas vezes temos a resposta pronta: “Que tempo? Mal tenho tempo para fazer minhas obrigações, como vou arranjar tempo extra? “Minha família, meus filhos (ou colegas de trabalho, etc, etc,) precisam de mim! Seria egoísmo de minha parte pensar nisso.”

E assim por diante…

No mundo em que vivemos agora, na “era da informação”, há tanto que ver, tanto que aprender, tanto que comunicar – é simplesmente assustador! Tudo se acelerou de uma maneira pouco saudável para nós humanos. E o resultado é o cansaço, a sensação de tensão contínua, de estar sempre “devendo”alguma coisa que não sabemos direito identificar. Portanto, minha sugestão é desacelerar um pouco, através de pequenos, mas satisfatórios, passos. Comece com 10 minutos por dia. Aqui vão algumas idéias para começar, mas você pode descobrir muitas outras que combinem mais com seu jeito de ser.

1 – Medite – simplesmente sente-se com os olhos fechados, num lugar
tranquilo e concentre-se apenas em sua respiração.

2 – Pratique yôga – ajuda muito a equilibrar corpo e mente.

3 – Dedique-se ao seu passatempo favorito, seja ele a leitura, algum
trabalho manual, assistir um filme. Mas nada de dramas ou violência!

4 – Aprecie a natureza: escolha um parque ou um local bonito e “respire”o cenário.

5 – Faça uma caminhada, prestando atenção em seus passos
e se libertando de sua “mente pensante”.

6 – Ouça uma música suave antes de dormir. Se não quiser mais
receber esta mensagem, por favor, responda “não”

O que eu quero?

por Anna Russo – 26 de fevereiro de 2015

Trabalharmos para sermos fiéis a nosso verdadeiro eu em cada momento, é um processo que dura a vida inteira. Nossas personalidades não são gravadas em pedra, nem no momento em que terminamos nossos estudos, nem mesmo quando resolvemos nos aposentar. É sempre possível mudar. Mas, para que esta mudança seja duradoura, precisamos nos conhecer. Saber: como nos tornamos quem somos e de que maneira queremos ser diferentes?

Embora única, a vida de uma pessoa frequentemente é a repetição do passado, ou seja, repetimos o que nos foi ensinado (com a melhor boa vontade e amor) por pais ou a sociedade, sem se perguntar: “o que eu quero? ” Quando prestamos atenção a nossos comportamentos em diversas situações, talvez nos demos conta que alguns deles, algumas atitudes, hábitos, não nos agradam. E se observarmos com cuidado, poderemos perceber como afetam nossas vidas, nossas carreiras, nossos relacionamentos, os objetivos que queremos alcançar.

Como identificar e vencer características e atitudes internas que prejudicam nossas vidas agora? Como separar o que é nosso e o que é uma repetição herdada de outra pessoa ou situação?

Vamos mudar?

por Anna Russo – 07 de outubro de 2014

Que mudança você gostaria de fazer em sua vida? O que precisará fazer para conseguir esta mudança? Que novos comportamentos e hábitos precisará adotar?

Está esperando “sentir vontade de fazer?” Isto talvez nunca aconteça, portanto, pare de esperar. E, claro, mudanças importantes nunca são fáceis de conseguir, até porque muitas vezes nosso raciocínio “defensivo”, nos leva a acreditar que devemos evitar o que mais nos beneficiaria. A ansiedade que isso provoca pode nos levar a repetir padrões de comportamento dolorosos ou improdutivos. Os seres humanos tem a tendência de fazer o que é fácil e prazeroso e evitar o que é difícil, o que provoca tensão ou sofrimento. Mudança é um desafio! A verdade é que, quando estamos determinados a conseguir uma mudança e fazemos um esforço para adotar novos comportamentos e escolhas em nossa vida, logo começamos a sentir resultados positivos.

Estes resultados reforçam naturalmente os novos comportamentos e escolhas positivos, que vão se tornando cada vez mais fáceis, até se tornarem um hábito. Haverá uma sensação de bem-estar. Por exemplo, quando passar mais tempo com nossos seres queridos, se torna uma prioridade, notamos quanto estávamos perdendo por não usufruir sua companhia. Quando resolvemos nos exercitar regularmente, aos poucos sentimos mais energia e disposição, e dormimos melhor. E, nos dias em que não o fazemos, sentimos que “algo está faltando”. Quando resolvemos iniciar uma terapia, o desconhecido da situação pode nos assustar, mas quando começamos a entender o porquê de nossos comportamentos, a perceber o que podemos fazer a respeito, passamos a nos movimentar melhor no nosso mundo.

Mas, no começo, estas mudanças não são fáceis. Na verdade, abandonar velhos hábitos pode ser a coisa mais difícil que você já tenha feito, mesmo que teoricamente pareça simples. Não é. Mas garanto que vale a pena. Vá em frente, com determinação, em busca da vida que você quer!

Se…

por Anna Russo – 23 abril de 2015

“Ah, se apenas eu tivesse terminado a faculdade, poderia procurar um emprego melhor”.

“Se eu tivesse muito dinheiro, teria podido ajudar meu amigo”.

“Se eu fosse mais corajoso, teria aproveitado aquela oportunidade!”

Quantas vezes ouvimos, ou pronunciamos, frases semelhantes a essas?

Enquanto nos defendemos atrás dessa condicional, estamos seguros.
Não questionamos nossa postura. Ela é confortável e impede qualquer movimento.

Mas, o que aconteceria se todas estas possibilidades se tornassem realidade? Como nos sentiríamos? Muito felizes? Realizados? Saberíamos lidar com a realidade sonhada?

Você está sempre certo?

por Anna Russo – 25 novembro 2014

Certamente todos já encontramos pessoas que sempre se acham certas. Não admitem erros. E para justificar conflitos com outros indivíduos, tem um discurso pronto sobre suas boas intenções. Não pensam sobre o que fizeram; em vez disso, respondem a qualquer crítica com uma declaração de boas intenções:

“Minhas intenções são sempre boas. Nunca faço nada errado,
porque sempre procuro ser correto e justo”.

“Veja, X teve esta atitude, então não tive outra alternativa senão tomar esta decisão”.

E assim por diante, essas pessoas parecem ter um interlocutor interno que entra em ação quando pode haver a mínima dúvida de que possam ter errado.

Será que tais argumentos convencem? Pode acreditar que quase nunca. Saiba que ao camuflar críticas com uma declaração de suas boas intenções, o resultado é que os outros vão parar de ser honestos com você e, aos poucos, se afastar, porque com certeza não é agradável o convívio com alguém que está sempre certo.

Se esse texto fez você pensar que talvez possa se encaixar neste perfil, lembre-se que este comportamento bloqueia qualquer contato com seu interior, qualquer questionamento que o faça considerar mudanças.

 

Viva sua verdade

por Anna Russo – 3 de julho de 2014

Uma das coisas boas do amadurecimento, é que aprendemos a ser mais fiéis a nós mesmas e a nossas vontades. Mas muitas de nós mesmo já tendo ultrapassado a barreira dos 40, agimos como crianças que tem que obedecer à vontade dos pais. E a esta altura podemos substituir a palavra pais por amigos, marido, sociedade.

Estamos sempre presas a algum tipo de comportamento que, quando examinado de perto, é determinado pelo que “os outros vão pensar”.
Nossa maneira de viver e de ser segue regras muitas vezes difíceis de suportar. E o pior é que não percebemos o quanto nos deixamos governar e os sacrifícios que muitas vezes temos que fazer. No afã de buscar uma imagem definida por outros, perdemos a noção de quem realmente somos. E como isto é cansativo! Quantas vezes ao termos que tomar uma decisão ficamos lutando entre o que realmente gostaríamos de fazer e o que os outros acham “adequado”.

E não digo que seja fácil mudar esta atitude, mas se dermos pequenos passos a cada dia, conseguiremos ser mais donas de nossa vida.

Aqui vão algumas dicas que irão ajudá-la a se conhecer melhor:
1- Observe quando você está realmente feliz, cheia de energia e disposição. Preste atenção a estes momentos porque eles sinalizam quem você realmente é e o que na verdade que.

2- Sinta seu coração e o que ele lhe diz. Confie em sua intuição e tenha a coragem de segui-la.

Situações indesejáveis frequentemente resultam de não ouvirmos nossos sentimentos. Isto pode levar a nos comprometermos demais, nos esforçarmos demais ou nos envolvermos em algo que realmente não queremos. Contanto que não estejamos ferindo nós mesmas ou o próximo, exercitar o hábito de dizer e fazer o que queremos, nos torna mais centradas e equilibradas.

3- Reserve todos os dias um momento para estar só e tranquila: medite. Não há nada melhor para nos conhecermos do que passar um tempo longe do agito da vida diária. No começo pode ser difícil, mas ao poucos você conseguirá aumentar este tempo de desaceleração.

Estes parecem pequenos passos, mas com o tempo o resultado é um crescente sentimento de satisfação que nos faz sentir bem, mesmo quando temos que toma decisões difíceis, porque sabemos que estamos vivendo a nossa verdade.

Tempo Equilibrista

por Anna Russo

 

Esta coisa imaterial de que falamos sempre e que sempre parece faltar. A falta de tempo parece nos governar, tirar todas as oportunidades de termos qualidade de vida, aproveitar momentos preciosos.

Fica sempre “faltando tempo” para fazer aquele curso tão desejado, visitar amigos queridos, ir ao cinema, ler um livro, brincar com os filhos ao invés de apenas correr atrás deles o dia todo, verificando se estão estudando, se foram às aulas extras, etc.

As promessas que fazemos são roubadas pelo tempo: “Ligo para você assim que puder para a gente se encontrar” (e este “assim que puder nunca chega”).”Vamos almoçar na semana que vem? (e a semana que vem fica cada vez mais distante).

Na vida das equilibristas isso ganha ares de rotina. Em palestra para um grupo de mulheres, uma delas fez um desabafo dos mais espontâneos: “faz tempo que não uso mais relógio…uso cronômetro!”. Vivemos intensamente todos os nossos papéis, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Não tem descanso nem feriado.

E, mais do que isso, temos a sensação de que, ao final de cada dia, a lista de itens que não foram “ticados” e que seguirão na lista das atividades do dia seguinte é bem maior do que gostaríamos. Sempre fica a impressão de estar devendo alguma coisa, seja em casa ou no trabalho. A conta das atividades está muitas vezes no vermelho. Ufa!

Por que será que vivemos com esse desespero de que não vai dar tempo? Muito provavelmente porque fomos somando “pratinhos” em nossas vidas e não abrimos mão de nada. Somos mães, profissionais, donas de casa, amantes. Precisamos estar com o corpo em dia, com o cabelo pintado, as unhas feitas, a despensa cheia, os filhos bem educados, o cinema em dia, o noticiário atualizado, o carro com a revisão em ordem, as compras de supermercado feitas…

O tempo nos escraviza e os anos passam, mas a conversa continua a mesma: “não tenho tempo para nada . Às vezes, geralmente no começo do ano podemos até bravamente tentar lutar contra ele, tomando resoluções: “Este ano vou fazer isto ou aquilo, vou ter mais calma, administrar melhor minha vida”. E, de repente, parece que o tempo é mais forte e “rouba” novamente nossa decisão e tudo continua na mesma. E a vida vai passando e os filhos vão crescendo e o trabalho nos devora e temos a impressão que estamos sendo levadas por uma corrente que nos arrasta sem dó e contra a qual não conseguimos lutar.

Ora, o tempo é tão importante que até tem música própria:

“Compositor de destinos, tambor de todos os ritmos…

Tempo tempo tempo tempo, entro num acordo contigo…

Tempo tempo tempo tempo…”

(Oração ao Tempo, Caetano Veloso)

Parafraseando Caetano Veloso, como vamos “entrar num acordo com o tempo”? E impedi-lo de ser o “tambor de todos os ritmos?” O que fazer para sair deste redemoinho sem fim?

Vocês podem pensar neste momento: “Ai, lá vem mais um texto de autoajuda, não agüento mais ouvir as mesmas palavras” Também acho que textos ou livros de autoajuda têm sua importância e sua hora, mas que até eles precisam ser inseridos em nosso domínio do tempo. Como lê-los, se não tempos tempo?

Então, vamos à luta contra este algoz e acho que o melhor método é atacá-lo, começando por nos conscientizar de que somos escravas do tempo, que nós, mulheres independentes, trabalhadoras, donas do próprio nariz, na verdade temos um “senhor” que nos governa implacavelmente

Assim, decididas a acabar com esta situação e eliminando a frase “não tenho tempo” de nosso vocabulário, vamos às dicas práticas:

1 – Por a mão na massa: escrever uma lista de tudo o que tenho para fazer durante uma semana típica. Em seguida relê-la com cuidado e eliminar coisas que realmente não precisam ser feitas naquela semana. É incrível, mas quando colocamos as idéias em ordem com calma, vemos que temos pelo menos uma atividade que não é tão importante assim e pode ser postergada. Respire e sinta a satisfação de conseguir um tempinho extra.

2 – Consultar novamente sua lista e estabelecer prioridades e datas para o que tem que ser feito. Desse modo você vai ter uma relação do que tem que ser feito naquele dia e naquela semana. Imprima esta lista e mantenha-a em lugar visível para que você não se perca. Isso vai ajudá-la a se disciplinar e vai aliviar muito sua tensão, porque você não vai precisar “ficar se lembrando” de tudo o que tem para fazer: está tudo lá por escrito.

3 – Diminuir seu nível de exigência para com você mesma: não queira ser a mais perfeita em tudo, nem ter a casa arrumadíssima (mesmo porque na maioria dos dias ninguém vem visitá-la, certo?), o jantar pronto na hora exata, as crianças matriculadas em todos os cursos extras possíveis… relaxe um pouco, no bom sentido, claro.

4 – Manter tudo organizado. Ter um lugar para tudo, para que quando precisar sair não tenha que correr de um lado para o outro procurando onde estão as chaves do carro, a carteirinha do convênio médico, etc. Arrume suas roupas e livre-se de tudo o que você não usa mais. Outras pessoas se beneficiarão de sua generosidade e haverá mais espaço livre para que você não perca tempo procurando o que vestir.

4 – Escolher os profissionais que a atendem (médicos, cabeleireiro, etc.) o mais próximo possível de sua casa. Isto vai economizar tempo perdido no trânsito e aliviar a ansiedade.

5 – Aprender a dizer “não” aos outros, quando o que for solicitado causar um estresse adicional no seu já supercomplicado programa diário.

6 – Delegar o que for possível, evitando a frase “só eu consigo fazer isto bem”.